Paisagens paradisíacas, becos e vielas: saiba onde achar a Bahia de Jorge Amado, Itamar Vieira Junior, Luciany Aparecida e João Ubaldo
Itamar Vieira Junior, Jorge Amado, Luciany Aparecida e João Ubaldo Ribeiro Renato Parada; Acervo Zélia Gattai/Fundação Jorge Amado; Divulgação; Flavio Mor...
Itamar Vieira Junior, Jorge Amado, Luciany Aparecida e João Ubaldo Ribeiro Renato Parada; Acervo Zélia Gattai/Fundação Jorge Amado; Divulgação; Flavio Moraes/g1 Poética, mágica, diversa, ancestral e berço da resistência. Assim é a Bahia retratada em algumas obras de escritores que nasceram no estado. Itamar Vieira Junior, Luciany Aparecida, Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro estão entre eles. Presentes na Bienal do Livro Bahia 2026, que começa na quarta-feira (15), em Salvador, os livros desses autores mostram o estado de norte a sul, do litoral ao sertão, do recôncavo à capital. Para ajudar aqueles que vão conferir o evento ou já são amantes dos trabalhos, o g1 preparou um roteiro literário, que ajuda a guiar o leitor do universo dos artistas para a vida real. (Confira abaixo) 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Itamar Vieira Junior Uma dessas obras é a "Trilogia da Terra", de Itamar. A obra começa na região da Chapada Diamantina com "Torto Arado" (2019), depois segue para o Recôncavo Baiano com "Salvar o Fogo" (2023) e termina em Salvador com "Coração Sem Medo" (2025). Trilogia da Terra, de Itamar Vieira Junior Divulgação Em "Torto Arado", o escritor aborda vida, morte, combate e redenção presentes na vida das irmãs Bibiana e Belonísia. "Salvar o Fogo", por sua vez, como protagonista Luzia do Paraguaçu, uma mulher que busca na coragem o caminho para ultrapassar as injustiças. A trama é composta por traumas do colonialismo, que permanecem vivos, como uma ferida aberta. O último livro, "Coração Sem Medo", mostra como Rita Preta, uma operadora de caixa de supermercado e mãe de três filhos, vê sua vida mudar quando o filho adolescente some. A personagem enfrenta as possibilidades de perder o emprego e até mesmo a própria vida, ameaçada pela atmosfera de violência e arbítrio que envolve o desaparecimento do menino. Luciany Aparecida Por outro lado, a escritora Luciany Aparecida ambienta a narrativa de "Mata Doce" (2023) em um pequeno vilarejo no interior da Bahia, onde vivem Maria Teresa e suas duas mães. A obra aborda tragédias, segredos e dramas familiares. Já "Tinta da Bahia" (título provisório), que deve ser lançado ainda neste ano, também coloca mulheres no centro da trama. O cenário, como Luciany adianta, será uma fábrica de tecido que existiu no Vale do Jiquiriçá, no século XIX. Mata Doce, de Luciany Aparecida Divulgação Jorge Amado A Bahia de Jorge Amado é destaque no cenário nacional – tanto na literatura, como no audiovisual. Isso porque suas obras foram adaptadas em novelas da TV Globo e no cinema. Entre os livros mais famosos estão "Gabriela Cravo e Canela" (1958) e "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1966). "Gabriela Cravo e Canela" se passa em Ilhéus, localizada no sul da Bahia e conhecida como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. O livro narra o romance entre o sírio Nacib e Gabriela, e tem como pano de fundo a luta pela modernização da cidade. O clássico "Dona Flor e Seus Dois Maridos" tem o Pelourinho como ambientação. Localizado no Centro Histórico de Salvador, o cartão-postal é frequentemente visitado por turistas que se hospedam na capital baiana. Na obra, Florípedes Paiva conhece em seus dois casamentos a dupla face do amor: com o boêmio Vadinho, Flor vive uma paixão avassaladora, o erotismo e o ciúme. Por outro lado, com o farmacêutico Teodoro, com quem se casa depois da morte do primeiro marido, Flor encontra a paz doméstica, a segurança financeira e um amor metódico. Um dia, no entento, Vadinho retorna sob a forma de um fantasma capaz de proporcionar de novo à protagonista o êxtase erótico de quando era vivo. João Ubaldo Ribeiro Em "O Sorriso do Lagarto", um dos romances de maior repercussão de João Ubaldo Ribeiro, ele retrata a Ilha de Itaparica. Na obra, o autor aborda temas como a ambição humana, o amor e as ameaças do mundo moderno, em uma história repleta de traições e mistérios. A ilha aparece marjoritariamente também em "Vica o Povo Brasileiro", juntamente com o Recôncavo Baiano. A obra abrange mais de 300 anos de história, citando diversos marcos do paós, como a Guerra da Independência e a Guerra de Canudos. Conheça a rota literária com base nas obras citadas 📍Chapada Diamantina Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina Reprodução/TV Globo A Chapada Diamantina é conhecida como um verdadeiro paraíso natural, repleto de vales, cachoeiras e rios, que atrai os turistas que amam trilhas e acampamentos. O território engloba 24 municípios e, parte deles, abriga o Parque Nacional da Chapada Diamantina, que foi criado em 1985. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), que administra o Parque Nacional, são mais de 152 mil hectares, que oferecem uma grande diversidade ecológica e ambiental, e abrangem três biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. A região tem quase 300 km de trilhas, que percorrem campos rupestres, cerrado e mata atlântica; 33 cachoeiras, entre elas a Cachoeira da Fumaça, com 390 m de altura; 2 cavernas; 10 locais de escalada; 16 sítios históricos; e o Marimbus, que é uma área alagada conhecida como Pantanal da Chapada Diamantina. Como chegar na Chapada Diamantina? 🛣️Por terra: a viagem de carro entre Salvador e a Chapada Diamantina tem cerca de 420 km. O trajeto mais utilizado segue pela BR‑324, até Feira de Santana, e depois pela BR‑242, passando por Itaberaba, até cidades como Lençóis, Mucugê ou Ibicoara. O tempo médio de viagem varia entre 5 e 6 horas, dependendo do destino final dentro da região. ✈️Pelo ar: o Aeroporto de Lençóis (LEC) recebe voos diretos a partir de Salvador. Lençóis é a cidade-base mais procurada da Chapada e fica a cerca de 24 km do aeroporto. A partir dali, o deslocamento é feito com transfers ou carros alugados. Os voos não são diários, por isso é recomendável verificar os dias de operação antes do planejamento. 📍Recôncavo Baiano Cidade de Cachoeira na Bahia CEDOC/TV Bahia A região do Recôncavo Baiano é formada por 19 cidades, que compreendem cerca de 5,2 mil km². Apesar do trecho litorâneo que fica próximo à região metropolitana de Salvador, o clima é semiárido e as temperaturas anuais variam entre 14ºC e 32ºC. Sabe tudo sobre o Recôncavo da Bahia? Teste seus conhecimentos Um dos municípios mais famosos da região é Santo Amaro, terra natal de Caetano Veloso. O município que fica a pouco mais de 80 km de distância da capital baiana, foi cantado em muitos versos e prosas do artista. Como chegar no Recôncavo Baiano? 🌊Por água: é possível usar o ferry-boat para fazer a travessia Salvador–Ilha de Itaparica e seguir pela BA‑001, rota bastante utilizada para cidades como Santo Antônio de Jesus e Nazaré. 🛣️Por terra: o acesso mais comum é pela BR‑324, no sentido Feira de Santana, e depois por rodovias como a BR‑101 ou BA‑420, a depender do destino final. O tempo de viagem varia entre 1h e 3h, já que as cidades do Recôncavo ficam entre 70 km e 190 km de Salvador. 📍Vale do Jiquiriçá O território do Vale do Jequiriçá conta com 20 municípios em uma área de 10.467,49 km², com densidade demográfica de 29 hab/km². A região faz divisa com o Médio Rio de Contas, Piemonte do Paraguaçu, Chapada Diamantina, Recôncavo e Baixo Sul. Entre os recursos naturais, destacam-se a Área de Proteção Ambiental Caminhos Ecológicos da Boa Esperança e a bacia do Rio Jiquiriçá. A principal fonte de renda é a agropecuária, com destaque para o cultivo de abacaxi, café, amendoim, banana, cacau, cana-de-açúcar, caqui, laranja, mandioca, maracujá, tomate, melancia, hortifrutigranjeiros e flores, além da criação de caprinos, asininos, e a produção de leite e bovinos. Como chegar no Vale do Jiquiriçá? 🌊Por água: atravessar de balsa Salvador–Itaparica e seguir de carro pela região do Baixo Sul até o vale. 🛣️Por terra: a rota mais comum saindo de Salvador é seguir pela BR‑324, no sentido Feira de Santana, e depois acessar a BR‑420, que passa por municípios do Vale do Jiquiriçá, como Santa Inês, Ubaíra, Jiquiriçá e Mutuípe. O trajeto tem cerca de 170 km e leva, em média, entre 3 e 4 horas, variando conforme o destino final dentro do vale. 📍Ilhéus Praia em Ilhéus, no sul da Bahia Prefeitura de Ilhéus Conhecida como Princesinha do Sul, Ilhéus tem 1.588,556 km² de área territorial e se destaca pelas paisagens paradisíacas. Dois locais frequentemente citados na obra de Jorge Amado são o Bataclan, antigo bordel que se transformou em restaurante e centro cultural, e o bar Vesúvio. Ambos ficam localizados no Centro da cidade. Como chegar em Ilhéus? 🌊Por água: precisa pegar o ferry-boat em Salvador para Bom Despacho (Ilha de Itaparica) e seguir pela BA-001 até Ilhéus. 🛣️Por terra: seguir pela BR-324, em Salvador, para acessar a BR-101 e depois a BR-415 em direção a Ilhéus. ✈️Pelo ar: o Aeroporto Jorge Amado (IOS) recebe voos diários. Há conexões diretas de Salvador (SSA), Belo Horizonte (CNF), São Paulo (CGH/GRU), entre outras cidades. 📍Ilha de Itaparica A tranquilidade das águas da Praia da Coroa, na Ilha de Itaparica-BA Will Recarey A ilha é dividida em dois municípios: Itaparica e Vera Cruz. Vera Cruz conta com praias de águas calmas e com poucas ondas. Já Itaparica possui um ambiente pacato. Como chegar na Ilha de Itaparica? 🌊Por água: a viagem que dura cerca de 1h, pelo ferry-boat com saída de Salvador. 🛣️Por terra: é preciso acessar as BRs-324 e 101 até a Ponte do Funil. O principal acesso de quem sai do sul da Bahia é por meio da rodovia BR-101 e pela BA-001, que leva até o município de Itaparica. Para quem parte da capital baiana, o caminho por terra é longo e pode levar até 3h, pois a distância é de cerca de 285 km. 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