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Ex-diretora revela como facilitou fuga de 16 detentos na Bahia e detalha participação de ex-deputado federal Uldurico Júnior

Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. Redes sociais A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, disse que facilitou a fuga de 16 deten...

Ex-diretora revela como facilitou fuga de 16 detentos na Bahia e detalha participação de ex-deputado federal Uldurico Júnior
Ex-diretora revela como facilitou fuga de 16 detentos na Bahia e detalha participação de ex-deputado federal Uldurico Júnior (Foto: Reprodução)

Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. Redes sociais A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, disse que facilitou a fuga de 16 detentos da unidade, em dezembro de 2024, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB). A revelação foi feita em delação premiada assinada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA). As investigações do órgão culminaram na prisão do político, na quinta-feira (16). Ele nega o crime (veja o posicionamento ao final do texto). O g1 e a TV Bahia obtiveram acesso ao documento da delação, registrada no dia 9 de fevereiro deste ano. Nele, Joneuma Neres, que ficou presa por mais de um ano, mas deixou o presídio há um mês para cumprir prisão domiciliar, detalhou a participação dela e de outras pessoas no crime. Durante a delação, Joneuma Neres: assumiu que tinha conhecimento da negociação e do plano realizado para a fuga dos internos, e agiu com negligência; confirmou que foi nomeada como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis por indicação de Uldurico Júnior, com quem teve um relacionamento amoroso. Ex-diretora de presídio chegou a ser presa suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia Arquivo Pessoal Joneuma contou para o Ministério Público que conheceu Uldurico Júnior quando trabalhava na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas. No local, ela ocupava um cargo administrativo. Conforme o relato de Joneuma, Uldurico já havia indicado diretores para o comando da unidade. Ela afirmou que o político costumava conversar com os internos e, por vezes, levava outras pessoas nessas visitas, como alguns vereadores. As conversas com os internos eram feitas "de portas fechadas" e eram tidas como "normal", segundo a ex-diretora. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Joneuma foi nomeada como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis em 14 de março de 2024. Ela lembrou que, no dia seguinte, Uldurico compareceu ao presídio acompanhado de várias pessoas, entre elas o candidato a vereador Alberto Cley Santos Lima, conhecido como Cley da Auto Escola, então filiado ao PSD. Assim como fazia na unidade prisional de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior teria solicitado uma conversa com os chefes de todas as facções custodiados no presídio de Eunápolis. Joneuma contou que atendeu ao pedido após se sentir pressionada. Informou ainda que, uma semana depois, Uldurico Júnior retornou à unidade, com as mesmas pessoas, para conversar com os mesmos internos. Entre os detentos estavam "Ednaldo", mais conhecido como Dadá, chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE); "Sirlon", o Saguin, apontado como sub-líder da facção; "Luquinhas", "Juan Pablo" e "Cascão", que seriam os representantes de cada ala. Joneuma confessou que liberou regalias aos internos a pedido do ex-deputado federal, como apontado pela investigação do MP-BA. A lista contava com cardápio especial e um freezer. De distribuição de acarajés a velório de avó de detento: veja fatos inusitados que aconteceram em presídio durante gestão de ex-diretora afastada Adiantamento da fuga Simulação mostra como criminosos fizeram para resgatar 16 detentos de presídio na Bahia Ainda na delação, Joneuma Neres ressaltou que tinha conhecimento da fuga, relatou que os internos do núcleo principal da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) já ficavam na mesma cela, e que os detentos Ednaldo Pereira Souza (Dadá) e Sirlon Risério Dias Silva (Saguin) tinham as chaves da cela em que ficavam. Ela acrescentou ter conhecimento de que os internos estavam com uma furadeira e que iriam fazer um buraco na cela. Quando ouviu o barulho, tentou acobertar. A fuga, que aconteceu em 12 de dezembro de 2024, estava combinada para ser realizada no último dia do ano. Joneuma tinha, inclusive, pedido férias a partir do Natal, para que não estivesse presente quando o plano ocorresse. No entanto, de acordo com a delação de Joneuma Neres, Ednaldo foi informado por um policial que haveria fiscalização no presídio e que ele seria transferido. Com isso, a fuga foi adiantada. A ex-diretora do presídio detalhou que, ainda em 2024, encontrou um buraco na cela de Dadá e uma arma com munição no local. Para ela, o homem teria contado que tinha comprado o revólver por R$ 100 mil através do mesmo policial. Joneuma ressaltou que não recebeu dinheiro para facilitar a fuga dos internos. Ela também foi questionada sobre a liberação de um velório dentro do presídio. O corpo velado era do parente de um dos detentos. Nesse caso específico, Joneuma pontuou que deu o aval após descobrir que cerimônias semelhantes já haviam sido feitas no local, e por entender que a entrada do caixão na unidade não seria algo ilícito, mas sim uma "atitude humanitária". Negociação com Uldurico Júnior Uldurico Júnior está preso desde quinta-feira (16) TSE Segundo Joneuma Neres, em 14 de outubro de 2024, após ter perdido a eleição para prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior compareceu à cidade de Eunápolis, pressionando-a para ter mais contato com Dadá, chefe da facção PCE. O objetivo, de acordo com ela, seria conseguir recursos financeiros. De acordo com Joneuma Neres, Uldurico Júnior afirmou que precisava de dinheiro com urgência para prestar contas e pagar determinadas pessoas com quem ele tinha dívidas. Em meio a isso, ela afirmou que Uldurico negociou a fuga com Dadá por R$ 2 milhões. Entenda a negociação, conforme relato da ex-diretora ⬇️ Em 2 de novembro de 2024, Joneuma e Uldurico Júnior estavam em um hotel, em Eunápolis, quando o candidato a vereador Alberto Cley e a esposa dele trouxeram uma pessoa de confiança de Dadá, que saiu do veículo de Cley e entrou no veículo do ex-deputado federal. No veículo, estavam Uldurico Júnior (no volante), Joneuma ao seu lado, e a pessoa de confiança de Dadá no banco traseiro. Essa pessoa ligou do celular dela para Dadá e realizou uma chamada em modo viva-voz. Na ocasião, foi firmado o acordo de facilitação da fuga em troca dos R$ 2 milhões. O valor seria pago em espécie no dia 31 de dezembro, na cidade de Porto Seguro, quando um funcionário de Dadá levaria o dinheiro para a casa de um primo de Uldurico. No entanto, o ex-deputado federal informou que necessitava com urgência de um adiantamento de R$ 350 mil. Dadá teria aceitado adiantar o pagamento de R$ 200 mil antes da data da fuga. Como foi feito o adiantamento? Segundo a delação de Joneuma Neres, a entrega do dinheiro do adiantamento ocorreu da seguinte maneira ⬇️ Na noite de 4 de novembro de 2024, a ex-diretora foi sozinha a uma residência no bairro Juca Rosa, que tinha um adesivo com o nome “CLEY” colado no muro, parou o carro em frente à casa e uma pessoa da confiança de Dadá a entregou o dinheiro em uma caixa de sapato. No dia seguinte, ela entrou em contato com o pai de Uldurico Júnior, Uldurico Alves Pinto, via aplicativo de mensagens, perguntando onde deveria encontrá-lo para entregar o dinheiro. Joneuma disse que ela entregou o dinheiro, na mesma caixa de sapato, na casa do pai do ex-deputado federal, em Teixeira de Freitas, conforme acertado com ele. Informou que estavam presentes na residência o pai de Uldurico Júnior, a madrasta dele, uma funcionária doméstica e um assessor da família. O assessor teria conferido o dinheiro e o pai de Uldurico ficou com R$ 150 mil. Em relação ao restante do dinheiro, Joneuma disse que depositou R$ 21.600,00 na conta de Uldurico Júnior e realizou um PIX de R$ 24 mil para a conta de um outro homem. Depois do pagamento do adiantamento de R$ 200 mil, Uldurico Júnior teria passado a pedir que Joneuma intermediasse a comunicação com Dadá. A ex-diretora informou que as reuniões que teve sozinha com o detento no presídio tinham o objetivo de realizar esta negociação e ganhar a confiança do traficante para que ele adiantasse mais valores. Joneuma afirmou ainda que o ex-deputado federal pediu mais R$ 100 mil de adiantamento, mas Dadá negou e ressaltou que só faria o restante do pagamento após a fuga. Ex-ministro citado em delação A ex-diretora do presídio disse ainda que foi ameaçada por Uldurico Júnior no dia 22 de dezembro, durante um encontro em um hotel em Salvador. Joneuma afirmou que Uldurico Júnior dizia que metade do dinheiro da fuga seria para ele, e a outra metade para um chefe, se referindo ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). Relatou ainda que Uldurico encaminhava a ela mensagens que supostamente eram enviadas por Geddel, cobrando os valores. Procurado pelo g1, o político negou envolvimento com o caso. O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi citado na delação Evaristo Sa/AFP/Arquivo Durante as mensagens trocadas por Joneuma e Uldurico, chamou a atenção do Ministério Público da Bahia o termo "chorar as rosas". Na delação, ela contou que se referiam a quando ocorreria o pagamento do restante do valor acordado pela fuga. Joneuma disse ainda que o acordo inicial previa que apenas Sirlon e Dadá fugiriam, no dia 31 de dezembro. Revelou também que Uldurico Júnior a questionou sobre o motivo das outras 14 fugas e porque o crime foi cometido antes do acordado. O que dizem as defesas O g1 e a TV Bahia entraram em contato com a defesa de Joneuma, mas não receberam resposta até a última atualização desta reportagem. A defesa de Uldurico Júnior informou que todas as alegações da delação são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade. "Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado. Tanto a defesa quanto o acusado estão colaborando com a Justiça para que a verdade prevaleça", afirmou. Em entrevista ao g1, Geddel Vieira Lima também negou envolvimento com o caso. "Eu fui tomado de profunda indignação com esse negócio, de saber que a gente termina convivendo com criminoso e só descobre que a pessoa é criminosa depois que o crime aparece. Fui colega do pai e dos tios desse rapaz, ele foi candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, o partido [MDB] tentou ajudar... Sempre tratei ele com carinho e fui surpreendido com a delação dessa mulher, que eu nunca vi, não sei quem é, nunca tive relação", ressaltou o político. "Ela diz coisas não sobre mim, mas que ele disse para ela. No fundo, ele estava vendendo meu nome descaradamente para acalmar ela, como se eu fosse protegê-lo. O inquérito da polícia mostra quem recebeu o suposto dinheiro. O pai dele, outros vereadores, com PIX, e não faz nenhuma referência a mim". Para Geddel, Uldurico é "irresponsável, inconsequente e leviano". Ele disse que se sentiu "apunhalado". "Trata-se de uma conversa entre dois criminosos. Ele certamente vendendo meu nome para tentar acalmar a cúmplice dele nesse crime horrível que cometeram", acusou. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que tem colaborado "de forma irrestrita" com todas as informações necessárias à investigação, desde que a fuga em massa ocorreu. O portal não conseguiu contato com as defesas de Alberto Cley Santos Lima, o Cley da Auto Escola, e de Uldurico Alves Pinto, também político e pai do ex-deputado preso. LEIA TAMBÉM: Ex-deputado preso por suspeita de negociar R$ 2 mi para facilitar fuga na BA já foi o mais jovem eleito do país e queria ser presidente Ex-diretora de presídio teve romance com detento e envolvimento com facções na Bahia, diz investigação Ex-diretora de presídio e detento foragido negociavam votos por R$ 100 para beneficiar vereador e ex-deputado federal Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻 e

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